i won’t give up!

perdi as contas de quantas vezes ouvi na última semana a frase “nossa, o tempo está voando, nem sei como chegamos em novembro”. Eu sei, tenho anotado numa parte – meio esquisita – do cérebro. Eu sei, cada segundo desse ano. Sei muito bem tudo que ganhei, o que perdi. O gosto ruim da raiva que senti, o gosto doce das gargalhadas que dei. Sei as lágrimas, os suspiros e as vezes que faltaram ar.  2016 é uma montanha russa.

( e eu tenho MUITO medo de montanha russa)

2016 é ano de abrir mão de muita coisa em busca de algo maior.
abrir mão de alguns livros pra ler pdfs,
abrir mão de horas de sono,
abrir mão da cerveja,
abrir mão da a primeira resposta, porque eu não posso perder esse jogo.
abrir mão de textos bons, porque eles não resistem ao bloco de notas do celular.
2016 ainda não acabou, nem eu.

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FWD: (POLI)AMOR, MONOGAMIA E OUTROS

Li o texto “(POLI)AMOR, MONOGAMIA E OUTROS” da Laura Pires pra TPM e não resisti.

Relacionamentos são o eixo central das relações humanas e, eu culpo as princesas da Disney e as comédias românticas da sessão da tarde pelo defeito que achava que tinha. Desde meus primeiros sinais de amor platônico,me forcei a padronizar os sentimentos (muito além dos padrões heteronormativos), falo dos moldes monogâmicos aceitos. Eu não sou, nem de longe, a mulher que aos 15 anos imaginei que seria aos quase 30. Ainda bem! Ser mulher é um processo de várias etapas, me construo e desconstruo diariamente.

Se você gosta do seu amiguinho, tem que gostar só dele. E os namoradinhos? Plural era só pra te mostrar que depois de um, vem outro e errado é estar sozinha. Até depois dos 18 anos e hímen perdido eu insistia em achar que precisava gostar de um cara de cada vez. Até que questionei.

Se no início do texto eu culpava as princesas, agora eu uso espaço para agradecer a Lapa. Foi lá, entre tragos e goles que percebi quão grande é meu coração e que sim, consigo amar de verdade várias pessoas. Se eu amo meus vários amigos, por que não? Desvendar meu mapa astral  ajudou bastante, porque meu sol me dá desculpa zodical para ser meio vadia. Sou de peixes, ué, por isso me apaixono todo dia.

Alguns duram mais, outros duram menos. Conto nos dedos de uma mão os que já esbarrei ao longo desses 28 anos e amo até hoje. Desde que permiti amar sem pensar, eu amo melhor. Eu me amo mais por isso. Mas você nunca vai casar? Isso então é um manifesto de poliamor? Tá fazendo chamada pública pra suruba? Não. Quem sabe? Amor e sexo não são a mesma coisa, as vezes é melhor o sexo sem amor nenhuma (mas isso é assunto pra outro texto).

Minha única certeza é que amo. Como o outro me ama e como nos amaremos é coisa que eu não posso prever. Amor não é uma ciência exata, ainda bem, porque eu sou de humanas. Sinto ciúmes, e isso eu já sei que não é amor. Sou insegura mas, às vezes, me acho foda. Eu sou muita coisa pra administrar, confesso. Ainda acho que não daria conta de um relacionamento aberto e vou me virando com os vários relacionamentos nenhum que a vida dá.

ao som de: Pitada de Amor, do Fióti.

poliamor

confissões do fim do outono

sim, sou eu.
dormi mal essa noite e sei que isso é efeito do pesadelo que tive contigo. aham, isso ainda acontece mesmo depois de tantos meses e continuo sem saber explicar como funciona. Vai a merda, toma vergonha, não minimiza o fato de eu ter engolido o orgulho pra te mandar esse email colocando a culpa nos meus hormônios, ok? e nem pergunta se eu bebi alguma coisa pra ajudar a descer pela goela aquela última frase que te disse, porque não, não lembro da última vez que uma gota de álcool tocou minha garganta.
tá, ok, outro dia teve chopp mas não é disso que tô falando.
se olhar no calendário, vai ver que nem preciso de desculpas. na verdade, se você continua o mesmo, não vai precisar nem olhar pro canto da tela pra conferir a data.
é, eu sinto saudades, mas como tudo na vida é hábito, eu já aprendi a lidar com a minha. no fim das contas, melhor é o gosto da saudade do que o da insegurança que amargava a boca naquele beijo com hálito de cerveja que você me dava, escondido, vez ou outra.

eu sinto saudades porque não me arrependo de nada e, como  preciso de uma noite tranquila de sono senti que precisava dizer que: sim, eu sinto saudades dos dias de sol, quando você brilhava e quase me cegava mesmo de olhos fechados, esfregando nariz num beijo com gosto de café da manhã e perfume de cabelo molhado.
sentir saudades agora é parte de mim, e esperar ansiosa hora da primavera chegar com as novas flores que vão brotar no meu peito também. confessa que sente saudades também, faz bem!

de longe, teremos sempre nossa saudade por perto.
se cuida, arruma o jardim, tá chegando a estação mais bonita do ano.

até, durma bem.

ao som de: Faça esse drama – 5 a Seco.

Varal coraçao verde colab Lulu

novo post sobre nada

nessa vida eu sou muita coisa, inclusive trouxa.
nessa vida eu queria ser muita coisa, por exemplo: rica.
mas tem uma coisa que eu não sou, não quero e nem vou ser: burra.

não estou falando que sou inteligente, eu tenho meus momentos.da imensidão do universo e das ciências exatas eu não sei quase nada, mas das relativas e eu sei bastante. por exemplo? depois de dois meses, sendo precisa – 67 dias – sem notícias chega uma mensagem que diz “tá sumida”.

eu poderia rir, mas não tem graça.
eu deveria chorar, mas eu prometi que só vou derramar lágrimas por motivos justos.

entre o poderia e deveria, está o que eu vou fazer: nada.

nada é o que você merece.
nada de reação, nada de resposta.
aprendi isso depois de todos os “nada” que ganhei nesses últimos dois anos: nada de respeito, nada de atenção, nada de carinho.

eu avisei, quando ainda tinha alguma coisa, quando faltavam 3 gotas pra esgotar tudo e virar nada. mas, como sempre, você não prestou atenção em nada que eu disse.

viu que louco como resoluções de ano novo e promessas, que você disse que “são a mesma coisa que nada” são tudo e mudam o mundo? o meu mundo.

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nota: e esse é o último texto que ofereço a você.
de nada.

Ser Mulher

(texto originalmente publicado na Revista Versificados de Março/2016, com o tema: Ser Mulher)

Um dos meus questionamentos internos mais recorrentes é tentar descobrir quando foi que me senti mulher pela primeira vez nessa vida.
Eu lembro que foi no primeiro dia de escola, no ensino fundamental que me senti gente. A responsabilidade de aprender por mim, sem minha mãe por perto foi gigante. Até hoje eu carrego essa sensação no peito, sempre que me desafio, eu sinto como aquela mini eu sentiu olhando pro quadro negro naquela sala de aula. Mas ali eu ainda não sei se me sentia uma mulher, na verdade eu só me sentia uma criança e isso bastava.

Eu não senti mulher quando beijei um menino com oito anos de idade, não me sentia mulher porque me davam saias e blusas cor de rosa pra usar.
Quando eu era rejeitada nos times de futebol da educação física eu não achava que era por ser menina, sim porque eu não sabia jogar. Eu nunca fui rejeitada nas rodas de bolinha de gude, justamente porque não sabia jogar e perdia fácil as minhas bolinhas de vidro. Não, não foi na infância que me senti mulher.

Não me senti mulher aos 13 anos quando menstruei pela primeira vez e ouvi que “ser mulher é isso: sangrar e sentir dor todo mês”, nessa hora eu senti raiva e não acreditei que as pessoas diziam isso pros outros.
Acredito que foi na adolescia que descobri que era mulher, quando meu corpo mudava do dia pra noite e eu era obrigada a vestir uma pela que não era minha. Quando os peitos começaram a chegar antes da cara nas conversas. Hoje, com vinte e oito anos é chato pensar que para se descobrir mulher você precisa ter sofrido um certo trauma e que ser mulher seja superar tudo dia uma barreira. Eu não lamento, sou mais forte por isso.

Todas somos melhores pela luta. Sejamos fortes e que o dia 8 de março, seja seu dia de lembrar que é mulher! Seja mulher cis ou mulher trans, que os dias sejam todos seus, afinal só você que é mulher conhece a dor e a delicia de ser como é.

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shame on me

essa manhã acordei aos prantos, não lembro o que sonhei mas acordei com a cara lavada por lágrimas.

respirei fundo, tomei banho e antes do cafe recebi um noticia boa, sorri.
tomei cafe, vesti a roupa pra vir trabalho e veio uma noticia ruim, fechei a cara.
fui andando até o ônibus com a cabeça baixa e sem musica nos ouvidos, lamentando as dores do mundo e o peso que só eu sentia nos ombros. Dentro da minha cabeça eu reclamava do tempo quente, da distância da minha casa, da falta de dinheiro e da sobra de sono, até que dei de cara com uma cena que me fez cair no choro outra vez naquela manha: uma mãe limpando a boca da filha, que por conta de uma deficiência motora não tinha como alcançar  própria boca.

e eu usando minha boca e minhas mãos para reclamar de tudo, que vergonha.
sorri pra duas, e elas sorriram em retribuição não entendo nada minha cara molhada de lagrimas. coloquei som nos ouvidos, segui meu caminho, soltei no ponto depois para ter mais tempo andando no sol pra aquecer meu coração.

funcionou.